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Brasileiro gosta de ler, mas tem dificuldade de acesso, diz escritor

ResumoItamar Vieira Junior afirma que a ideia de que brasileiro não gosta de ler é falsa. O escritor, em evento no Pelourinho, atribui a baixa leitura à desigualdade de acesso a livros e bibliotecas. Itamar Vieira Junior defende políticas públicas e ampliação de bibliotecas para aumentar o número de leitores no Brasil.

Para o escritor Itamar Vieira Junior, a ideia de que brasileiro não gosta de ler é falsa. Em evento no Pelourinho, ele destacou a desigualdade de acesso e defendeu mais bibliotecas e políticas públicas para ampliar o número de leitores no país.

Helô Sampaio
Helô Sampaio Jornalista de cultura · 10 de agosto de 2026
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VereditoPara o escritor Itamar Vieira Junior, a ideia de que brasileiro não gosta de ler é falsa. Em evento no Pelourinho, ele destacou a desigualdade de acesso e defendeu mais bibliotecas e políticas públicas para ampliar o número de leitores no país.

Brasileiro gosta de ler, mas tem dificuldade de acesso, diz escritor Itamar Vieira Junior

Na noite de ontem (7), o escritor Itamar Vieira Junior defendeu que "não é verdadeira a afirmação de que brasileiro não gosta de ler". A declaração foi dada para uma plateia que lotou o Largo do Pelourinho, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). Para ele, o que existe é desigualdade de acesso, não falta de interesse.

Segundo o escritor, "o brasileiro gosta de ler, mas encontra dificuldades de acesso para fazê-lo". A fala arrancou aplausos do público presente.

Por que o brasileiro não lê mais? A resposta vai além do interesse

Itamar Vieira Junior foi enfático ao rebater o senso comum: "Posso dizer para vocês que, em toda parte do Brasil, a quantidade de pessoas interessadas em livros e em leitura é imensa. Isso é um bom retrato para aqueles que dizem: 'Ah, o brasileiro não gosta de ler'. Isso não é verdade. O que existe é desigualdade de acesso".

A declaração ganha força quando se olha para os números. Em 2024, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, apontou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora no Brasil, o equivalente a cerca de 93,4 milhões de pessoas. O levantamento mostrou também que 53% não leram nem parte de um livro nos três meses anteriores e que o país perdeu 6,7 milhões de leitores em quatro anos.

A desigualdade começa no preço e na distância

O autor da Trilogia da Terra, que começou com o sucesso Torto Arado, passou por Salvar o Fogo e agora é concluída com seu atual livro Coração sem Medo, criticou a realidade de quem mora longe dos livros: "É um país profundamente desigual e o livro não é barato. E às vezes não há uma biblioteca pública no bairro onde a gente mora lá na periferia".

Ele próprio disse que frequentava muitas bibliotecas públicas de Salvador na juventude. "Se não houvesse essas bibliotecas, certamente eu teria perdido muito das leituras que eu fiz ali na minha adolescência, no começo da vida adulta. Mas o certo, o ideal, era que tivesse uma biblioteca em cada bairro", ressaltou.

O mercado editorial mostra sinais de recuperação

Apesar da queda no número de leitores, o mercado editorial tem visto sinais de recuperação. O Panorama do Consumo de Livros no Brasil, da Câmara Brasileira do Livro com a Nielsen BookData, apontou que 18% da população adulta comprou ao menos um livro em 2025, o que representou alta de 2 pontos percentuais em relação a 2024. Isso representou o equivalente a cerca de 3 milhões de novos consumidores.

MEC Livros: a plataforma que quer reduzir a desigualdade de acesso

Para Itamar, é preciso criar políticas públicas para garantir o acesso das pessoas aos livros. Um dos exemplos citados por ele é o MEC Livros, uma plataforma pública digital que reúne e disponibiliza gratuitamente obras literárias em formato digital, por meio de empréstimo. Um de seus livros, Torto Arado, é inclusive o livro mais emprestado dessa plataforma.

"Esse ano veio um projeto muito bonito que é o MEC Livros. E aí não importa se você está lá numa comunidade isolada no Amazonas ou se você está numa grande cidade como Salvador ou São Paulo, mas você tem o livro ali [ao alcance, de forma gratuita]. Esse é um instrumento que veio para reduzir e mitigar essa desigualdade de acesso que existe", afirmou.

O que você pode fazer para ler mais hoje

Se você quer retomar o hábito da leitura, comece pelo que está ao alcance. Plataformas gratuitas como o MEC Livros oferecem obras digitais por empréstimo, sem custo. Bibliotecas públicas, quando existem no bairro, também são portas de entrada. A dica do próprio escritor é clara: "o brasileiro gosta de história e gosta de ler, nós sabemos. Gosta muito, desde sempre".

O papel das bibliotecas públicas na formação de leitores

A experiência de Itamar Vieira Junior é um exemplo prático: foram as bibliotecas públicas de Salvador que o aproximaram da leitura na adolescência. Para ele, ampliar o número desses espaços é essencial. "O certo, o ideal, era que tivesse uma biblioteca em cada bairro", defendeu.

A ausência de bibliotecas na periferia é um dos fatores que aprofundam a desigualdade de acesso. Quando o livro é caro e a biblioteca fica longe, a leitura vira privilégio, não hábito. Por isso, políticas públicas que aproximem o livro das pessoas são tão urgentes.

Como aumentar o número de leitores no Brasil?

Na visão do escritor, a resposta passa por políticas públicas de acesso. Isso inclui desde a ampliação de bibliotecas até plataformas digitais gratuitas. O MEC Livros é um exemplo recente: ele permite que uma pessoa em comunidade isolada no Amazonas tenha acesso ao mesmo livro que alguém em São Paulo, sem pagar nada por isso.

Para quem quer entender o cenário, os dados ajudam: 47% da população se declara leitora, mas 53% não leu nem parte de um livro em três meses. O desafio não é despertar o gosto pela leitura, que já existe, mas garantir que ele encontre caminhos possíveis.

Perguntas Frequentes

É verdade que o brasileiro não gosta de ler?

Para o escritor Itamar Vieira Junior, não. Ele afirma que o brasileiro gosta de ler, mas encontra dificuldades de acesso, como preço alto e falta de bibliotecas públicas em muitos bairros.

O que é o MEC Livros?

É uma plataforma pública digital que reúne e disponibiliza gratuitamente obras literárias em formato digital, por meio de empréstimo. O livro Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, é o mais emprestado da plataforma.

Quantos leitores o Brasil tem?

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora em 2024, cerca de 93,4 milhões de pessoas.

O mercado editorial está em recuperação?

Sim. O Panorama do Consumo de Livros no Brasil apontou que 18% da população adulta comprou ao menos um livro em 2025, alta de 2 pontos percentuais em relação a 2024, o que representa cerca de 3 milhões de novos consumidores.

Como posso ter acesso a livros de graça?

Uma opção é o MEC Livros, que oferece empréstimo gratuito de obras digitais. Bibliotecas públicas, quando disponíveis, também são uma alternativa. A falta delas em periferias é um dos problemas apontados pelo escritor.

  • A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

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