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Celular impulsiona leitura digital no Brasil, aponta pesquisa

ResumoPesquisa Nielsen BookData aponta o celular como principal dispositivo de leitura digital no Brasil. O levantamento traça o perfil de 94 milhões de leitores digitais no país. Nielsen BookData identifica desafios de distribuição e acesso ao conteúdo digital, fatores que limitam a expansão do hábito de leitura por meio de dispositivos móveis.

Celular é o principal dispositivo de acesso à leitura digital no Brasil, segundo pesquisa da Nielsen BookData. Levantamento traça o perfil dos 94 milhões de leitores digitais e aponta desafios de distribuição e acesso.

Flávio Negrão
Flávio Negrão Produtor cultural · 02 de setembro de 2026
Celular impulsiona leitura digital no Brasil, aponta pesquisa
7.9/10
VereditoCelular é o principal dispositivo de acesso à leitura digital no Brasil, segundo pesquisa da Nielsen BookData. Levantamento traça o perfil dos 94 milhões de leitores digitais e aponta desafios de distribuição e acesso.

O celular é o principal dispositivo de acesso à leitura digital no Brasil, segundo a pesquisa Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro, da Nielsen BookData, divulgada nesta quarta-feira (2). O levantamento, que ouviu 3 mil pessoas de todas as classes e regiões, estima em cerca de 94 milhões o número de leitores digitais no país: pessoas que, nos últimos 12 meses, usaram celular, notebook ou aparelho de leitura para acessar notícias, livros, audiolivros, PDFs, quadrinhos e mangás.

Entre os que leem livros eletrônicos ou ouvem audiolivros, 72% o fazem por smartphone. O celular também foi a preferência de 85% dos que leram outros tipos de texto, como notícias e artigos. "Prefiro ler no telefone porque ele está sempre comigo e posso ler no ônibus, no posto de saúde, em quase todo lugar", conta Maria das Neves de Araújo Alves, a Nevinha, técnica de enfermagem de 60 anos que mora em Valparaíso de Goiás e trabalha em Brasília.

A pesquisa revela uma dinâmica social específica: 64% dos leitores digitais integram as classes C (46%), D e E (18%). A classe B soma 29%, e a A, 7%. O perfil predominante é de jovens adultos (18 a 44 anos), com 56% de presença feminina. Metade se declara branca; pardos são 37%, pretos 11%, amarelos 2% e indígenas 0,2%.

A facilidade de acesso é o principal motivo para a escolha do formato digital: 61% dos leitores de livros citaram esse fator. Outros 48% valorizam a possibilidade de carregar vários livros em um só aparelho. O preço mais barato que o do título em papel aparece em terceiro lugar. Nevinha, que lê romances e livros de ação há pelo menos quatro anos, resume a mudança: "O livro se torna mais difícil para mim, porque é mais um peso para eu carregar na bolsa, no ônibus".

A pesquisa também mapeou o acesso a obras gratuitas: 48,8% dos entrevistados consumiram livros e audiolivros obtidos em sites, aplicativos ou links não oficiais, enquanto 46,4% usaram plataformas institucionais, como a MEC Livros, do Ministério da Educação. Quase metade (46%) admite nem sempre saber se um livro digital gratuito é legal ou autorizado.

Para Rodrigo Meinberg, executivo-chefe da plataforma Skeelo, que ajudou a viabilizar a pesquisa, as telas se tornaram aliadas na formação de leitores. Ele cita dados do IBGE: em 2018, apenas 18% dos 5.570 municípios brasileiros tinham livraria. "A rede móvel chega onde as livrarias não chegam", afirma. Rafael Lunes, presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, complementa: "A tecnologia nos permite transformar as telas digitais de inimigas em aliadas deste processo".

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