Crítica · Bastidores

Ministério homologa tombamento de palacete no Rio

ResumoO Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado, no Rio de Janeiro, teve seu tombamento homologado pelo Ministério da Cultura, encerrando processo aberto no Iphan desde 1990. A proteção definitiva preserva 30 cômodos e um dos últimos jardins históricos da região, garantindo a integridade arquitetônica e paisagística do imóvel para as gerações futuras.

O Ministério da Cultura homologou o tombamento do Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado, no Rio. A proteção definitiva encerra um processo que tramita no Iphan desde 1990 e preserva 30 cômodos e um dos últimos jardins da região.

Flávio Negrão
Flávio Negrão Produtor cultural · 14 de setembro de 2026
Ministério homologa tombamento de palacete no Rio
8.6/10
VereditoO Ministério da Cultura homologou o tombamento do Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado, no Rio. A proteção definitiva encerra um processo que tramita no Iphan desde 1990 e preserva 30 cômodos e um dos últimos jardins da região.

O Ministério da Cultura homologou o tombamento do Palacete Celina Guinle e Linneo de Paula Machado e de seus jardins, na cidade do Rio de Janeiro. A Portaria 314/2026, publicada nesta segunda-feira (14), formaliza uma decisão que já havia sido aprovada por unanimidade pelos integrantes do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em junho.

O que a homologação muda na prática: o imóvel e seus jardins passam a contar com proteção definitiva do patrimônio cultural brasileiro, o que assegura a preservação de suas características históricas, arquitetônicas e paisagísticas. A decisão passa a produzir os efeitos previstos no Decreto-Lei nº 25, de 1937, principal marco legal de proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.

O processo de tombamento tramitava no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1990. Para quem acompanha esse tipo de pauta, o intervalo de mais de três décadas entre a abertura e a homologação é o dado que explica por que decisões assim costumam ser tratadas com cautela por proprietários e gestores culturais: não há produção de patrimônio sem a segurança jurídica que só a assinatura final entrega.

O palacete foi erguido entre 1900 e 1906 e dado de presente de casamento a dois integrantes de famílias tradicionais da elite carioca: Celina Guinle e Linneo de Paula Machado, fundador do Jockey Club Brasileiro. O imóvel tem escadarias e estátuas de mármore, pisos em mosaico, além de um enorme jardim, uma das últimas áreas verdes da região. No total são mais de 1,1 mil metros quadrados e 30 cômodos.

O casarão já havia sido tombado pelo município e pelo estado. Em junho deste ano, recebeu o tombamento do Iphan. Na decisão, o então Palacete Linneo de Paula Machado passou a incorporar o nome de Celina Guinle, como forma de resgatar a figura dela.

O palacete foi comprado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que restaurou e construiu um anexo no terreno. O local abriga a Casa Firjan desde 2018. A sobreposição de tombamentos municipal, estadual e federal costuma gerar dúvida sobre qual esfera responde pela fiscalização de qualquer intervenção futura, tema que só se esclarece com a leitura conjunta das três normas.

Casa Firjan tombamento Iphan

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