Rio Cello leva música a vários espaços do Rio de Janeiro
O Rio Cello, maior festival de violoncelos do Brasil, começa neste sábado (8) e vai até domingo (16) com programação gratuita em museus, igrejas e salas de concerto do Rio de Janeiro.
Festival Rio Cello leva música a vários espaços do Rio de Janeiro
O Rio Cello, considerado o maior festival de violoncelos do país, começa neste sábado (8) e segue até domingo (16) com programação gratuita em vários espaços urbanos da capital fluminense. A 32ª edição abre com apresentação de dança com música brasileira nos jardins do Museu da República, no Catete, zona sul da cidade. Quem passar por lá vai ver a dançarina Chris Cecconelo em homenagem a Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ao lado do cellista Lui Coimbra, que estreia no festival, e dos violinistas Karolin Broosch e Thiago Cosmo. O concerto de abertura ainda reúne o grupo Amores do Rio, a Camerata Laranjeiras e os corais Cantos da Urca e Cantos do Largo, sob regência do maestro Jonas Hammar.
Onde o Rio Cello acontece em 2026
Além do Museu da República, as apresentações deste ano vão ocupar o Espaço Cenáculo, no Flamengo; a Casa Museu Eva Klabin, na Lagoa; a Igreja de Nossa Senhora da Candelária, na Praça Pio X; e a Sala Cecília Meireles, no centro. A variedade de endereços reflete a vocação do festival de levar música de concerto para onde ela nem sempre chega, como estações de metrô, praças e comunidades.
A origem do festival e a inspiração de Villa-Lobos
O Rio Cello nasceu como um encontro de violoncelistas idealizado pelo cellista inglês David Chew, radicado no Brasil há mais de 40 anos. Com o tempo, virou uma das maiores celebrações de música de concerto do país, reunindo diversos instrumentos e linguagens como música, dança, artes visuais e educação. David mantém desde a criação a intenção de popularizar a música clássica e de homenagear o maestro Heitor Villa-Lobos, sua maior inspiração.
"Isso para mim é o grande lance do festival. Democratizar e ser aberto para o público. Qualquer pessoa pode ver e assistir", disse em entrevista à Agência Brasil.
O festival já levou música de concerto a mais de 500 mil pessoas. "É um caminho muito feliz e realizador", afirmou o fundador.
A história do Rio Cello se conecta a um episódio marcante: o festival começou depois da chacina da Candelária, em que crianças e adolescentes em situação de rua foram mortos por policiais no entorno da igreja, no centro do Rio. Na época, David integrava a Sinfônica Brasileira e foi chamado para ajudar uma sobrevivente de cinco ou seis anos, muito abalada. Ele tentou amenizar a situação com música, mas a criança chorava muito. A partir daí, veio a vontade de ajudar crianças em situação de rua e de comunidades. "Nessa ideia do festival chamei meus amigos para me ajudar", revelou.
Cello Kids e os 20 anos do Cello Dance
A renovação do festival em sua trajetória se traduz, este ano, em novos encontros. Uma das novidades é a estreia do Cello Kids, dedicado às crianças. No sábado (15), o auditório do Museu da República recebe, das 11h às 12h, a Escolinha de Música Rio Cello, projeto de formação mantido pelo festival durante o ano. Entre 13h e 16h, haverá a Oficina Cello Kids, no Espaço Educação e nos jardins do museu, com a participação de cellistas mirins. O dia ainda tem a apresentação do Coral das Marés.
Outra atração é a comemoração dos 20 anos do Cello Dance, projeto que une violoncelo e dança com apresentações inéditas de bailarinos que marcaram a história do festival. Nesse período, o projeto saiu dos teatros e se espalhou pela cidade, ocupando estações de metrô, praças, museus e palcos ao ar livre, com o público convidado a fazer parte da cena.
Encerramento com retorno de Bettina Dalcanale
O encerramento no dia 16, às 11h, leva aos jardins do Museu da República o retorno à dança de Bettina Dalcanale, primeira solista do Theatro Municipal nos anos 90 e primeira bailarina a participar do projeto que antecedeu o Cello Dance. Bettina, que mora em Lisboa, Portugal, vem ao Brasil para interpretar O Canto do Cisne Negro, de Heitor Villa-Lobos, ao som do cello de David Chew. A coreografia é assinada por Mônica Barbosa, e Bettina vai dançar descalça.
"Eu tenho 64 anos e parei de dançar há 15. Encerrei minha carreira e o último foi um balé no Theatro Municipal. Mudei de rumo, fiz um curso de personal trainer e trabalhei fortalecimento muscular com bailarinos do Royal Ballet", disse em entrevista à Agência Brasil.
A bailarina, que não faz aula de balé há 16 anos, se emociona com a apresentação. "Acho que até topei fazer isso, porque a minha neta tem cinco anos e ela adora balé. Sempre ouviu que a avó foi bailarina e agora ela vai ver a avó dançar em um lugar maravilhoso", contou. David Chew observa: "Acho que uma primeira bailarina topar dançar na grama é incrível. É uma coisa que me emociona".
A programação de encerramento inclui ainda David Chew com as pianistas Fernanda Canaud e Claudia Tolipan; o grupo Cello Popular, com Lauro Lira, Dave Haughey, David Chew e Mateus Ceccato; e os bailarinos Danilo D'Alma e Will Freitas, com o multi-instrumentista DJ Muralhex. A obra Três Filósofos, composta pelo cellista americano Dave Haughey especialmente para o festival, será interpretada por ele, Mateus Ceccato e David Chew, ao lado dos bailarinos Felipe Padilha, Inês Carijó e Monica Burity.
Violonsalada e números do festival
Na véspera do encerramento, domingo (15), acontece o encontro tradicionalmente conhecido como Violonsalada, às 17h, na Sala Cecília Meireles. O nome nasceu dentro do próprio festival e traduz seu espírito: um "mix de tudo o que aconteceu na edição, com um ou dois números de cada artista participante, anunciados na hora, no palco".
Dados do festival mostram que, desde a criação, 10 mil artistas participaram das apresentações em mais de 500 locais do Brasil. "Do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao Cristo Redentor, do Palácio Itamaraty às quadras [das escolas de samba] Mangueira e Beija-Flor, de estações do MetrôRio a comunidades como o Complexo da Maré, Pavão-Pavãozinho e Dona Marta, sempre fiel à sua vocação de levar a música de concerto para onde ela nem sempre chega", informou a organização.
Apesar de todos esses lugares, o fundador tem uma vontade especial: "Eu prefiro levar as crianças das comunidades para ver apresentações no Theatro Municipal e em locais como o Museu do Amanhã ou na Candelária. É muito importante que elas conheçam esses lugares a que normalmente não têm acesso fácil", afirmou.
Patrocínio e agenda completa
Atualmente, o Rio Cello é patrocinado pela prefeitura do Rio e a Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, a Lei do ISS. No início, segundo o fundador, era difícil conseguir recursos. "Eu fui batendo nas portas dos consulados e embaixadas pedindo que ajudassem o festival. Ainda tenho contato com patronatos que colaboram com o evento, o Itamaraty já ajudou muito", contou, acrescentando que hoje a produção fica atenta a editais de patrocínio.
O projeto também estará presente na Semana de Artes do Rio, de 16 a 20 de setembro. Para conferir a programação completa, basta acessar o perfil do festival: @riocellooficial.
Perguntas Frequentes
Quando começa o Festival Rio Cello 2026?
O Rio Cello começa neste sábado (8) e segue até domingo (16), com programação gratuita em vários espaços do Rio de Janeiro.
Onde acontecem as apresentações do Rio Cello?
As apresentações ocorrem no Museu da República, Espaço Cenáculo, Casa Museu Eva Klabin, Igreja de Nossa Senhora da Candelária e Sala Cecília Meireles.
O que é o Cello Kids?
É uma novidade do festival dedicada às crianças, com a Escolinha de Música Rio Cello e a Oficina Cello Kids, no dia 15, no Museu da República.
Quem é Bettina Dalcanale?
Bettina Dalcanale é a primeira solista do Theatro Municipal nos anos 90 e a primeira bailarina a participar do projeto que antecedeu o Cello Dance. Ela retorna à dança no encerramento, dia 16.
Como acompanhar a programação completa?
A programação completa está disponível no perfil oficial do festival no Instagram: @riocellooficial.